Querido leitor,
Vi o filme Feitiço da Lua, estrelado por Cher e Nicolas Cage.
O filme conta a história de Loretta Castorini, uma viúva que tenta reconstruir sua vida. Convencida de que seu primeiro casamento lhe trouxe azar, ela aceita o pedido de casamento de Johnny Cammareri, um homem mais velho e tranquilo.
Quando Johnny descobre que sua mãe está à beira da morte, viaja para visitá-la e pede que Loretta convide seu irmão, Ronny Cammareri, para o casamento.
Ronny é um padeiro que guarda um profundo ressentimento do irmão. Ele acredita que perdeu a mão em um acidente porque Johnny o distraiu enquanto preparava uma máquina para fazer pão. Depois da amputação, sua noiva o abandonou, aumentando ainda mais sua revolta.
Ao tentar convencer Ronny a fazer as pazes com Johnny, Loretta acaba envolvida pela intensidade dele, e os dois passam a noite juntos.
Mesmo apaixonado, Ronny aceita o pedido de Loretta para que aquele fosse apenas um encontro. Ela promete acompanhá-lo à ópera e, depois disso, cada um seguiria seu caminho.
No entanto, preparar-se para esse encontro desperta em Loretta uma mulher que parecia adormecida. Ela volta a se sentir bonita, desejada e viva.
Enquanto isso, ela descobre que seu pai trai sua mãe. Ao mesmo tempo, sua mãe desperta o interesse de outro homem, mas escolhe permanecer fiel ao marido.
No fim, Johnny retorna da viagem com a notícia de que sua mãe se recuperou. Interpretando isso como um sinal de que não deveria mais se casar, ele desfaz o noivado. Ronny, então, aproveita a oportunidade para pedir Loretta em casamento, e ela aceita.
Resenha
Não poderia haver contraste maior entre este filme e Eternidade, que valoriza o casamento e a fidelidade.
Em Feitiço da Lua, a moralidade da traição fica em segundo plano para dar lugar a uma reflexão sobre os motivos que levam as pessoas a buscar outras relações.
Em determinado momento, um personagem explica que, segundo uma interpretação da história bíblica da criação, o homem perdeu uma parte de si ao entregar sua costela para que a mulher fosse criada. Desde então, passaria a buscar essa parte perdida nas mulheres.
O filme também sugere que muitas pessoas traem porque têm medo da morte. Sentir-se desejado dá a ilusão de juventude e faz parecer que a vida continua cheia de possibilidades.
Entretanto, acredito que esse "feitiço da lua" seja justamente uma ilusão. Ninguém se torna mais jovem, nem consegue adiar a própria morte. E, pior ainda, uma traição pode destruir aquilo que realmente importa.
Na minha interpretação, o filme fala muito mais sobre Loretta reencontrando a si mesma do que sobre seu romance com Ronny. Inclusive, fiquei com a impressão de que, para Ronny, conquistar Loretta também representa uma forma de vencer o irmão.
A principal mensagem, para mim, é que uma pessoa precisa aprender a se amar antes de buscar esse sentimento em outra.
Também gostei do humor presente na família italiana de Loretta. As confusões, os exageros e a união familiar tornam diversas cenas muito divertidas.
Por outro lado, senti falta de um desenvolvimento maior do romance entre Loretta e Ronny. A paixão acontece muito rapidamente, o que dificultou meu envolvimento emocional com o casal. Talvez isso aconteça porque o filme esteja mais interessado em discutir o comportamento humano do que em construir uma grande história de amor.
Nicolas Cage entrega uma atuação intensa e exagerada, exatamente como Ronny exige. Seu dramatismo e seu carisma ajudam a tornar o personagem memorável.
Cher também está excelente. Sua interpretação é mais contida e equilibrada, funcionando como contraponto ao temperamento explosivo de Ronny.
No fim, acredito que o filme vale a pena justamente por apresentar um olhar diferente sobre a traição, o amor, o envelhecimento e o medo da morte — temas que os filmes de romance nem sempre exploram com tanta profundidade.
Nota:⭐⭐






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