Querido leitor,
Vi, em uma sessão em família, o filme Cara de um, Focinho de Outro, da Disney/Pixar.
O filme conta a história de Mabel, uma jovem ativista ambiental que tenta lutar para salvar uma reserva natural de um projeto do prefeito Jerry, que quer construir uma ponte no local.
Para isso, os animais precisavam voltar para a região, pois haviam misteriosamente ido embora.
Para descobrir o que aconteceu, Mabel não pensa duas vezes quando descobre que uma professora da faculdade está fazendo uma pesquisa científica capaz de colocar a consciência humana em um avatar animal robótico.
Assim, Mabel, na pele de um castor, vai até uma região florestal próxima, encontra os animais e tenta convencê-los a voltar para a reserva.
Por meio dos animais, a garota, agora castor, descobre que o prefeito instalou um aparelho que emite um som que afeta apenas os animais, fazendo com que eles se afastassem.
Ela destrói o aparelho, e isso parece resolver o problema. Porém, o prefeito Jerry volta a instalar o objeto, agora em vários lugares diferentes.
Nisso, com a ajuda do Rei dos Mamíferos, um outro castor chamado Rei George, Mabel consegue chegar ao Conselho Animal. Trata-se de um grupo formado por vários animais “reis”, que lideram diferentes espécies e discutem as regras de sobrevivência no mundo animal.
Nesse conselho, os líderes dos animais decidem destruir o prefeito Jerry e os humanos, pois acreditam que eles estão destruindo a natureza.
Mabel percebe que exagerou e que a situação tomou uma proporção muito maior do que imaginava. Agora, ela e George precisam proteger o prefeito dos outros grupos de animais.
Só que um dos líderes, uma lagarta chamada Titus, que se transforma em borboleta e se torna o Rei dos Insetos após a morte acidental de sua mãe, a Rainha dos Insetos, esmagada por Mabel durante o conselho, assume o controle da situação.
Titus obriga a professora de Mabel e os outros cientistas a construir o invento ao contrário. Ele passa a controlar um corpo humanoide robótico praticamente idêntico ao do prefeito Jerry.
Usando esse corpo, ele planeja utilizar um som parecido com aquele que afastava os animais, mas agora para afetar os humanos e destruí-los.
Mabel é resgatada pelos professores e retorna ao seu corpo humano. Agora, precisa impedir esse comício, realizado na área da reserva e planejado pelo falso prefeito, para salvar os humanos dos animais que ela própria havia influenciado a se revoltarem.
No meio da guerra entre os animais mamíferos e os humanos contra os outros animais radicalistas, que desejam eliminar os humanos, a reserva é incendiada.
E, nisso, todos precisam se unir para salvar a própria casa das chamas, inclusive os humanos, junto com o verdadeiro prefeito Jerry.
Essa união ajuda a apagar o incêndio e faz com que animais e humanos percebam que precisam aprender a viver no mesmo lugar.
No fim, Jerry e Mabel encontram um meio-termo para a construção da ponte, sem destruir a reserva dos animais.
Resenha
O filme é bem mais lúdico do que os outros filmes que a Disney costuma fazer. Começamos a assistir realmente para cativar a atenção das crianças durante uma reunião familiar.
Mas o filme cativou a família toda. Nos proporcionou verdadeiras risadas e nos ensinou muito sobre biodiversidade animal, radicalismo em visões políticas e como a união pode favorecer ambos os lados quando os dois pensam juntos.
Sim, se não prestarmos atenção, vemos uma farofa tão grande de uma aventura infantil, cheia de temáticas que já estamos cansados de ver em filmes para crianças.
Mas, como sempre, vi algo a mais. Até em um filme aparentemente bobinho e infantil da Disney/Pixar.
Como minha família é bem dividida entre visões políticas, temos várias discussões acaloradas sobre o tema.
E achei que o filme vinha justamente com esse tema principal.
Não é apenas sobre uma garotinha tentando salvar os animais.
Mabel tem uma visão muito clara de quem são os inimigos, de quais são os vilões e do que ela defende e pelo que luta.
Sua característica, nada “princesinha”, nada delicada, mostra isso. Ela nem usa roupas consideradas tradicionalmente femininas.
Ela usa a violência e atitudes extremas para lutar pelos seus ideais. Uma verdadeira militarista.
E é justamente nesse extremismo que ela erra.
Ela não consegue enxergar que esse mundo possui dois lados “políticos” e que o correto seria os dois lados procurarem meios de conviver em paz no ambiente em que vivem.
E Mabel só percebe que exagerou em seu discurso quando os outros seres animais já estão inflamados pelas suas críticas. O que realmente pode acontecer com os radicalistas.
Às vezes, não percebemos como as palavras têm poder. E, no caso, palavras políticas. Para uns, são apenas palavras de revolta ou até mesmo fruto do calor do momento. Mas, para outros, aquelas palavras se tornam dogmas e despertam algo a mais. Algo que pode gerar consequências muito ruins.
Pode ser um despertar necessário para um povo oprimido? Pode.
Mas, às vezes, as palavras podem fazer a diferença entre um acordo e uma guerra que banalizaria a morte, por exemplo. O que também, surpreendentemente, é demonstrado por meio de metáforas durante o filme.
Em várias cenas, é demonstrado que, no reino animal, a morte é banalizada. Quando um animal precisa devorar outro, por exemplo. Ou quando, por acidente, os insetos são esmagados.
Não sei se enxerguei coisas demais no filme.
No fim, podemos enxergar apenas uma garotinha tentando salvar a naturez
E, mesmo assim, o filme seria bom.
Nota: 3,5⭐






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