Querido leitor,
Vi o filme Death Note com meus filhos, baseado no anime tão famoso. Só que a curiosidade é que nunca vi o anime.
Fui diretamente para o filme da Netflix por indicação da minha filha Suzana, que viu a sinopse do anime. Quando fomos procurar, qual não foi a nossa surpresa quando vimos que tinha uma adaptação cinematográfica.
O filme conta a história de Light Turner, um estudante oprimido por valentões do colégio que encontra um caderno mágico. Qualquer nome que ele escrever nele fará com que o Deus da Morte, Ryuk, vá até a pessoa e a mate da forma como foi descrita no livro.
Ele então, pressionado por Ryuk, que é um bichão muito feio e que só ele consegue ver, escreve o nome de um dos valentões. E ele morre exatamente da forma como Light descreveu no livro.
Logo, ele resolve usar o caderno também contra o assassino de sua mãe, que seu pai, investigador policial, nunca conseguiu colocar na cadeia.
O homem também morre.
Light, para impressionar uma garota, Mia, conta a ela sobre o Death Note.
Ela então tem a brilhante ideia de começar a matar assassinos, estupradores e criminosos que não são condenados.
Tudo parece certo. Até que L entra em cena.
Um investigador particular doidão que quer colocar na cadeia o assassino dos criminosos.
O pai de Light, James, é designado para acompanhar o caso junto do investigador doidão, L.
L tem métodos estranhos, mas, usando muita inteligência, descobre que o assassino dessas pessoas ruins está naquela região e vai fechando o cerco aos poucos.
Light pensa em parar com os assassinatos, mas Mia, pela sede de poder, não quer. Ela começa a tomar decisões por conta própria e passa a eliminar pessoas envolvidas na investigação de Kira, identidade que Light adotou para fazer justiça.
Com isso, L chega até Light. Como James é o único investigador que permanece vivo e está diretamente ligado ao caso, a investigação acaba se aproximando cada vez mais da família Turner.
Light então precisa descobrir qual é o verdadeiro nome de L para poder escrevê-lo no Death Note. Para isso, ele escreve o nome de Watari, o homem que sempre cuidou de L, no caderno, obrigando-o a procurar a verdadeira identidade de seu pupilo.
O problema é que L foi criado em uma instituição que treinava crianças para se tornarem investigadores extremamente inteligentes. Por isso, Watari precisa ir até o orfanato onde L cresceu para descobrir seu verdadeiro nome.
Pelas regras do Death Note, Light consegue determinar o que Watari fará antes de morrer. Seu plano, porém, inclui uma maneira de Watari sobreviver: depois de cumprir sua missão, ele poderia destruir a página com seu próprio nome.
Só que seus planos são atrapalhados por Mia.
Mia consegue ficar com a página que contém o nome de Watari e impede que ele consiga escapar de seu destino.
Watari morre antes de conseguir revelar a Light o nome verdadeiro de L.
Mia, cada vez mais fascinada pelo poder de controlar quem vive e quem morre, deseja ficar com o Death Note. Ela escreve o nome de Light para controlá-lo, planejando fazer com que ele entregue o caderno a ela e, depois, destruir a página com o nome dele para que ele não morra.
Light percebe que, se Mia ficar com o caderno, a coisa vai ficar feia. Ela provavelmente continuará matando de maneira cada vez mais descontrolada.
Então ele faz uma escolha arriscada.
Light escreve o nome de Mia no Death Note e determina os acontecimentos que levarão à sua morte.
Mia morre lutando pelo caderno da morte em vez de lutar pela própria vida.
Light, com a ajuda das pessoas que ele havia manipulado e controlado, consegue desviar a investigação de Kira para longe dele e recuperar o Death Note.
No final, o pai de Light descobre que ele é Kira.
E L fica completamente abalado com a morte de seu amigo Watari, perdendo o controle e ficando determinado a encontrar Kira.
Resenha
O filme chama atenção, sem dúvida, tanto para mim quanto para meus filhos, pela ideia de ter o controle da morte.
A pergunta, por mais que seja mórbida para crianças, é algo muito real no mundinho delas também. A injustiça está escancarada em cada canto do nosso mundo, por mais que tentemos esconder isso das crianças.
Primeiramente, temos os criminosos. Vemos todos os dias notícias de coisas horríveis que acontecem com pessoas boas. E pensar que teríamos algum controle sobre isso tudo é fascinante, até para as crianças.
Depois, temos as injustiças pessoais. Valentões na escola que praticam bullying. Adultos que cometem injustiças com nós, pais, e com eles.
E, querendo ou não, eles estão abertos para ver essas injustiças e pensar, sim, que, se tivessem o poder, poderiam fazer alguma coisa.
Fora que, vendo o filme, percebemos a parte mais inteligente de Light, usando o controle psicológico das pessoas para trabalhar a seu favor.
Esse poder também é muito fascinante.
A comédia do filme traz um alívio em meio a tanto sangue. Ryuk, vendo tudo como uma brincadeira, é muito engraçado.
Além disso, vendo Light se envolver cada vez mais nessa teia invisível, o filme deixa de ser simplesmente um humor juvenil e se transforma em um filme claustrofóbico e surpreendente, principalmente quando percebemos que Mia também está construindo sua própria teia e se tornando uma ameaça para Light.
Acho que a personagem Mia nos surpreende ao deixar de ser uma simples "mocinha" e ficar fascinada pelo livro, transformando-se na principal vilã da história e chegando a superar até mesmo L em alguns momentos.
Ela tinha uma química legal com Light, mas, lá no fundo, já víamos que esse amor juvenil poderia acabar tomando outro caminho.
Sim, L também é um ótimo antagonista. O jogo de xadrez que ele faz contra Light é muito legal. Eu adoraria vê-lo, nessa primeira fase do filme, em outras investigações.
Mas, após a morte de Watari e com sua frustração por não conseguir capturar Kira, ele se transforma. Deixa de ser apenas o investigador inteligente e passa a agir de maneira muito mais emocional e obsessiva.
E isso também é muito bom.
O filme ensina sobre o que seria ter todo esse poder de trazer justiça ao mundo. E se faríamos mesmo essa justiça social ou se isso acabaria se tornando algo pessoal.
Acho que não vou responder essa pergunta. Deixarei ela em aberto.
O filme também não traz uma posição fixa de que determinado personagem seja simplesmente vilão ou mocinho. Ele deixa isso em aberto. E isso é o mais legal.
Acho que, por eu não ter visto o anime, minha experiência com o filme foi melhor.
O que meus filhos acharam
Leony: "Achei o filme mais ou menos. A parte ruim é que a Mia morreu. E a parte boa é a reviravolta que fez o Light não morrer, mesmo o nome dele estando escrito no livro."
Suzana: "A parte que eu mais gostei foi o Ryuk, porque ele é muito doido. E eu, que comecei a ver o anime, já sabia da história. Mas gostei da versão do filme do L. E me chamou atenção em como ele se senta na cadeira de forma engraçada. Mas faltou colocar as olheiras nele."

Comentários
Postar um comentário