Resumo
Querido leitor,
Nunca tive oportunidade de assistir ao desenho animado de He-Man. Nunca foi uma memória afetiva para mim, e muito menos para meus filhos. Apesar disso, na internet já consegui fazer com que eles conhecessem muitos desenhos animados antigos. Mas, quando saiu o filme baseado no desenho de He-Man, eu e meus filhos não nos continhamos de ansiedade para assistir.
O filme conta a história de Adam, que precisa fugir de seu reino fantástico, Eternia, quando ainda é criança, depois que o terrível Skeletor, um homem com rosto de esqueleto, toma o reino. Ele vai parar, por meio da magia de sua mãe, no nosso mundo. Adam leva consigo a espada mágica.
Ele cresce na Terra, mas perde a espada. Na vida adulta, passa a trabalhar no RH de uma empresa e fica focado em procurar a espada perdida e nas lembranças de Eternia e das pessoas que moram lá, colocando tudo em desenhos no papel.
Quando finalmente encontra a espada mágica em uma loja de produtos nerds, um animal monstruoso vindo de Eternia aparece para atacá-lo. Mas Teela, uma amiga de infância, vem ajudá-lo em sua nave. Quando Adam decide enfrentar o monstro, usa o poder da espada e se transforma em um guerreiro muito mais forte. É então que Teela percebe que Adam pode ser a salvação de Eternia, que estava sendo dominada por Skeletor.
Adam e Teela encontram o grupo da resistência. Só que eles não acreditam que ele seja o filho do rei. Ele, Teela e o pai dela, Duncan, que havia se tornado um bêbado, são aprisionados para averiguação. Nesse momento, o grupo da resistência é atacado pelas forças de Skeletor. Eles conseguem tomar a espada, mas Adam, Teela, Duncan e uma robô de combate que havia se tornado uma robô de limpeza conseguem fugir.
Skeletor, por meio de uma mensagem holográfica, solicita um embate entre os dois. Adam entra nas fortalezas do terrível vilão e enfrenta todos os capangas dele para recuperar sua espada. Só que Skeletor está com seu pai, preso. Adam, como He-Man, consegue liberar um alto nível de energia quando percebe que o poder não estava na espada, mas nele mesmo. Skeletor é destruído.
Nos créditos, vemos que Adam também tem uma irmã viva, que está desaparecida.
Resenha
O que mais me chamou a atenção no filme foi a personalidade de Adam, que apresenta uma pureza e uma índole boa e correta. Ele não é como os novos heróis, que acabam se tornando anti-heróis. Ele realmente é bom. Chega a ser um bobo, mas o ator Nicholas Galitzine conseguiu transmitir isso muito bem. E o dublador Garcia Júnior também conseguiu passar isso muito bem.
É tão difícil quando mudam a voz habitual de um ator, mas, neste caso, eles tiveram uma grande decisão pela frente: colocar o dublador habitual de Nicholas Galitzine, Raphael Rossatto, ou a voz original de He-Man. E, como eu não era tão familiarizado com o desenho e conhecia mais o ator por outros filmes, pensei que a mudança fosse ficar estranha. Mas não. A voz se encaixou muito bem.
A outra coisa que chama muita atenção no filme, por mais que eu não tenha assistido muito ao desenho, é a tentativa de recriar cenas que ficaram guardadas na memória de muita gente. Reconheço algumas imagens da internet ou que via, na época, na TV, nas propagandas. Mas percebi muito a necessidade de o filme se parecer com o desenho. E achei isso muito bonito, porque tenho certeza de que é isso que os fãs queriam. É o que eu gostaria que existisse em outras versões cinematográficas de desenhos animados.
A terceira coisa são as piadas de duplo sentido no meio do filme. Isso foi chocante, já que é um filme baseado em um desenho animado. Está certo que são para crianças que são adultas hoje em dia. Mas meus filhos viram o filme. Tudo bem que não entenderam as piadas de duplo sentido — eu acho.
Mas eles me fizeram uma pergunta curiosa: por que os personagens de desenhos animados tinham trajes que mostravam tanto o corpo e hoje não têm?
Sim. Antigamente, não havia uma separação tão séria no contexto de preparar uma figura infantil para não ser sexualizada. Ela era espelhada nos heróis que os adultos tinham, que a TV ou o cinema costumavam sexualizar, tanto a figura feminina quanto a masculina, para atrair mais público. Isso acabava sendo refletido também na figura infantil.
Hoje em dia, com o público infantil sendo identificado como um consumidor mais sério, esse mundo está sendo dividido entre aquilo que as crianças estão preparadas para ver e aquilo que não estão.
E He-Man, no filme de 2026, está tentando trazer a memória afetiva daquele público.
O roteiro da história é interessante, mas muito superficial. Nem consegui decorar direito a sequência dos acontecimentos, passo a passo. Mas não posso nem culpar o filme. Acho que, para trazer tanto a mensagem final quanto todos esses pedaços do mundo de antigamente, era necessário ter espaço.
Suzi: O que mais me chamou a atenção no filme foi Skeletor fazendo piada. Uma figura tão perturbadora sendo a mais engraçada do filme foi contraditório.
Leony: Gostei muito de Adam contar para a mulher, no começo do filme, sobre a vida dele em Eternia. Quem espera que alguém seja tão sincero, contando uma história tão doida, para um humano normal?
Acho que o que Leony quis dizer é que a sinceridade de Adam chamou a atenção dele no filme.
A mensagem final é bonita: a verdadeira força, às vezes, está em outras coisas. No caso de Adam, em uma espada. No meu caso, na minha rotina extremamente rígida. Mas, quando perdemos isso — tanto na vida de Adam quanto na minha vida, o que vai acontecer daqui a alguns dias —, vemos que o verdadeiro poder está dentro de nós.
Nota: 3,5 ⭐

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