Querido leitor,
Li o novo livro de Raphael Montes, A Estranha na Cama.
Neste livro, conta-se a história de um casal de classe alta, Laura e Diego, que tem a brilhante ideia de contratar uma moça de um aplicativo, Vivian, para passar uma noite com eles e apimentar a relação. E, em uma loucura envolvendo asfixia sexual, Laura é encorajada por Vivian a sufocá-la durante o sexo, usando um lenço.
A coisa acaba mal, e Vivian acaba morrendo durante o ato. O casal até tenta esconder o corpo.
Mas, quando a polícia chega para interrogá-los, vamos descobrindo que aquele caso era bem mais complexo do que parecia.
Vivian, na verdade, era Júlia Vidal, secretária de Diego, e os dois eram amantes. Pressionado por ela, Diego acaba aceitando o envolvimento dos três.
Só que, com a morte de Júlia, o casal começa a ser chantageado pelo namorado dela, Kevin.
Laura, a esposa, então começa a se envolver com Kevin para descobrir o que o rapaz sabia.
Só que Kevin se apaixona por Laura.
E, quando Diego descobre tudo, acaba mal. Kevin tenta matar Diego e, para se defender, ele o mata. Assim, os dois vão parar na polícia para prestar depoimento.
Mas logo Laura assume que foi Diego quem cometeu todos os crimes. Foi ele quem, durante o sexo a três, matou Júlia sufocada.
Tudo porque aquele sexo a três era uma armadilha para Júlia. Ela havia dito a Diego que estava grávida e queria que ele assumisse a criança.
Para não fazer isso, ele ofereceu a ela o tão sonhado sexo com a esposa, algo que ela tanto insistia em ter. E, na hora da asfixia sexual, foi ele, e não Laura, quem sufocou Júlia e a matou.
Depois, quando Kevin começa a chantageá-lo, Diego também o mata, sem que ele tenha reagido.
O marido pressiona a mulher a proteger o casamento deles, assumindo os crimes e defendendo-o.
Mas, na hora do interrogatório, Laura conta toda a verdade. Ou quase toda a verdade.
Anos depois, após sair do julgamento livre, Laura vê a notícia de que Diego se matou na cadeia. Então, ela reencontra sua amante na Turquia.
Descobrimos que Júlia e Laura eram amantes. Laura descobre que a assistente que Diego colocou para trabalhar com ela em sua floricultura era amante de seu marido. Humilhada e querendo se vingar, ela encontra Júlia, e as duas armam um plano para se vingar de Diego.
Júlia se disfarça como a amante perfeita para Diego, entra na empresa e participa do plano para se fingir de morta durante o ménage. As duas armam tudo para que parecesse que o chantagista era Kevin, namorado violento de Júlia. Diego é induzido a matar também Kevin. Assim, as duas se livrariam dos amantes tóxicos e poderiam viver o grande amor, viajando pelo mundo com o dinheiro da chantagem.
Só que ainda tem mais.
As mães adotivas lésbicas de Júlia, na verdade, eram amantes dela. Uma delas era a secretária mais velha de Diego e ajudou Laura a colocar Júlia dentro da empresa do marido para realizar a vingança.
Mas tudo não passava de uma armação das três. Júlia agora, depois de toda a vingança de Laura realizada, planejava matar Laura e ficar com o dinheiro da chantagem, viajando pelo mundo com suas duas mulheres mais velhas.
Resenha
A primeira coisa que chama a atenção na história, sem dúvida, é o fato de o autor colocar como tema a subestimação do desejo feminino como uma força que move seus destinos, erros e acertos, assim como acontece com os homens. Laura é o tempo todo subestimada pelo marido. E as outras mulheres da história também. Não as vemos apenas como vítimas de seus desejos sexuais. E até nós, leitores, somos enganados o tempo todo por Raphael Montes por causa disso.
Se nós, leitores, entendêssemos que as personagens femininas também tinham seus desejos e suas vontades, talvez suspeitássemos de toda essa história mirabolante que Raphael Montes inventou.
Não vou dizer que foi legal ser enganado assim pelo autor. Teve muita coisa que foi conveniente para que a história se desenvolvesse dessa maneira. E, até por vezes, isso se torna parte da brincadeira do livro: esse ouroboros de história em cima de história. Imaginamos um fato de um jeito, mas não foi bem daquele jeito. Não tinha como suspeitarmos de tudo, porque os personagens também nos enganavam. Não eram apenas os policiais. Não sei se isso foi legal.
A parte hot da história.
Laura era tão oprimida na história que suas cenas se tornavam angustiantes, até mesmo as cenas hot. Acho que as melhores foram as dela com Kevin. E foi frustrante descobrir que aquilo também era uma mentira.
Laura poderia pelo menos ter tido um final feliz ao lado de Júlia. Mas nem isso o autor nos permitiu ter. Achei frustrante.
Não sei se gosto desse nível de dureza para a história. Sei que Raphael Montes escreve coisas cruéis. Mas acho que, até mesmo nesse mundo, deveria existir algum nível de esperança. Eu não queria isso.
Mas, se eu sei que ele escreve assim, por que continuo lendo e gostando de seus livros?
Talvez seja aquele nível de sadismo que ele menciona em Suicidas. Somos sadistas vendo a vida de Diego indo do alto para o beleléu graças aos seus vícios e amores. E, depois, vemos a vida de Laura também. A de Kevin. Vemos a vida dessas pessoas se destruindo por causa de suas paixões e não conseguimos tirar os olhos.
Mas e agora? Que nota dar? Será que gostei ou tive asco do livro de Raphael Montes?
Essa é a pergunta que eu mais me faço.
Nota: 3,5 ⭐

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