Toy Store 5

 


Querido leitor,


Vi com meus filhos o filme Toy Story 5.


O filme narra a história de Jessie, um brinquedo de Bonnie, que, aos 8 anos, vê seu mundinho mudar ao perceber que as outras garotas não brincam mais com brinquedos, e sim com tablets.


E então Bonnie passa a brincar com um tablet, Lilypad, deixando de lado os brinquedos tradicionais. Lilypad até facilita para Bonnie arrumar novas amigas, fazendo com que ela entre em uma sala de bate-papo.


Mas, quando Jessie vai fiscalizar se essas amigas são amigas de verdade, indo a uma festa do pijama de Bonnie, acaba perdida e vai parar no endereço da antiga dona de Jessie, que ela tinha anotado em sua calça.



Lá, ela conhece Blaze. Blaze, mesmo sendo mais velha, gosta de brincar com os brinquedos tradicionais e não liga para o que as outras crianças falam.


Mas, quando acha Jessie e Tiro-no-Alvo, seu cavalo, decide devolver os brinquedos para seus donos originais. Quem acaba fazendo isso, porém, são os brinquedos de Blaze, que são uma mistura de tecnologia e brinquedos tradicionais, acabando também com o preconceito de Jessie em relação aos brinquedos tecnológicos.


Mas, quando Bonnie recebe o e-mail de Jessie avisando que seus brinquedos estão com Blaze, vai parar no bate-papo das amiguinhas do colégio. E todas as coleguinhas riem dela por ela ainda brincar com brinquedos tradicionais.


Isso faz com que Bonnie abra mão de seus brinquedos, mesmo que isso a faça sofrer muito.


Lilypad vê isso e fica muito triste. Decide se doar para a caridade e ficar longe de Bonnie.



Mas Jessie, ao ver como sua antiga dona, Emily, ainda a amava, dando até seu nome para a filha que teve, sabe como resolver a situação.


Ela, com a ajuda de Lilypad e de todos os antigos amigos, decide unir Bonnie e Blaze em uma amizade. Ela, sim, seria uma boa amiga e saberia brincar com os brinquedos por muito tempo.


Eles fazem Blaze ir até a casa de Bonnie para devolver os brinquedos, e as duas viram ótimas amigas, chegando até a casar Jessie e Baz Latiar em uma das brincadeiras.


Resenha


A Disney não poderia voltar com uma história tão renovadora em melhor momento do que agora. Em uma geração totalmente diferente e renovada de crianças, a temática de *Toy Story* não poderia vir em melhor hora.



A geração tecnológica de crianças que temos agora — e eu sei mais do que qualquer um, tendo dois filhos vidrados em tablets e celulares — está crescendo com brinquedos totalmente diferentes dos que eu estava acostumado na minha época.


As brincadeiras mudaram, os brinquedos mudaram, e não podemos, e nem temos como, lutar contra a maré.


O mundo mudou. As crianças mudaram. E os brinquedos e a forma de brincar mudaram.


E só tentar tirar isso delas é criar inimigos dentro da própria casa.


A realidade é essa. Não tem como dizer o contrário.


Mas Woody, Buzz Lightyear e Jessie perderam?


Acho que o filme veio ensinar justamente isso. Essa foi a função do filme.


Devemos lutar contra?


No filme, Jessie e seus amigos expulsaram os brinquedos tecnológicos da vida de Jessie?


Não.


Eles adaptaram as brincadeiras para que tanto os brinquedos tecnológicos quanto os tradicionais pudessem viver em conjunto, facilitando e ensinando Bonnie juntos.



Não dá para negar que os brinquedos tecnológicos e a tecnologia em geral facilitam, sim, a educação e até protegem a criança de um mundo que está cada vez mais perigoso.


Não dá para deixar nossos filhos na rua até tarde da noite. Não dá para confiar em amiguinhos da escola sem conhecer o perfil dos pais nas redes sociais.


E até os espaços dos nossos quintais e jardins são bem menores do que antigamente. Eles ficam presos em espaços bem mais apertados do que aqueles em que ficávamos quando crianças.


Precisam de telas, sim. Mas dá para incluir bonecas, carrinhos, livros. A gente, tendo tempo, dá para adicionar carinho, atenção e conversa. Brincadeiras.


Dá para não sermos oito ou oitenta. O filme vem para ensinar isso.


E agora, no auge das campanhas de candidaturas políticas, não dá para não levarmos o inocente desenhinho da Disney para a política.



Em uma sociedade dividida entre direita e esquerda, com pessoas fervorosas em seus discursos políticos calorosos, não vemos que vivemos em uma comunidade em que devemos ter inclusão, tanto de um lado como do outro. Dá para convivermos bem e em conjunto, sem ideias radicalistas.


Não precisamos excluir a nova geração de brinquedos tecnológicos. Mas também não precisamos expulsar ou substituir os antigos. Dá para brincar com os dois.


Assim como não precisamos excluir o modelo antigo de família, mas não podemos negar os direitos e deveres dos novos modelos de família. Entre outras diferenças ideológicas entre direita e esquerda política.


Fora as metáforas e a moral do filme, temos um filme lindo e sensível em relação ao emocional da criança.


Temos uma importância tão grande para aquilo que Bonnie está sentindo. Ela está se sentindo envergonhada, está querendo mudar, está querendo ter amizade, está precisando aprender a brincar. Tudo gira em torno da necessidade de a criança também ter uma existência que os pais, às vezes, não enxergam.


Às vezes, enxergam apenas como: "Meu filho." "Criança não tem que querer."


Eu acho que tem, sim.


É quando o adulto, com quem lidamos todos os dias, no dia a dia, está sendo formado. Temos que concentrar, sim, todas as nossas energias em formar essas crianças em cidadãos do bem. Para que outras pessoas cruzem com elas na rua e falem:


"Essa pessoa é boa."


E isso acontece quando nos importamos com o que ela está sentindo, pensando e brincando.


É como os brinquedos do filme, que têm uma vivência em que a existência da criança é o centro de seu universo.


É louco a gente analisar os dogmas dessa sociedade que os brinquedos criaram, em que seu deus é a criança. A vivência deles seria brincar. E eles convivem em um mundo secreto em que a única função é fazer a criança feliz.


E a nossa?



Deus é um ser que não vemos. Seguimos as regras Dele para ir morar com Ele no céu. Ninguém nunca voltou de lá para contar se é assim mesmo. Mas seguimos essas regras e, enquanto isso, trabalhamos a maior parte do tempo para pagar uma casa, comida, e vivenciamos coisas e temos problemas nessa existência para manter essa rotina, para, no fim, morrermos e irmos para essa existência que sequer sabemos se é real.


Você tem noção de como nossa existência é tão mais absurda que a dos brinquedos de Toy Story?


Os filmes de Toy Story, e os filmes da Disney em geral, são tão mais profundos e cheios de significados do que aquilo que mostram em primeiro plano. E Toy Story, para mim, sempre vai esconder algo a mais, dessa análise de filosofia e sociedade.


Ele pode ser repetitivo?


Na primeira visão, sim.


Mas, se formos analisar profundamente, é impossível ser repetitivo, pois a sociedade está sempre mudando.

Nota: 4,5⭐

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