O livro branco perdido - Cassandra Clare e Wesley Chu



Querido leitor,

Li o segundo livro da série As Maldições Ancestrais, escrito por Cassandra Clare e Wesley Chu: O Livro Branco Perdido.

O livro conta o reaparecimento de Shinyun, anos depois de Magnus Bane e Alec Lightwood terem poupado sua vida e permitido que ela escapasse da condenação da Clave, após sua tentativa de invocar Belial.

Pelo visto, ela não se arrependeu de nada. Agora, está tentando invocar Sammael, um dos Príncipes do Inferno, e, para isso, utiliza uma arma chamada Svefnthorn, uma espécie de espinho de ferro com farpas, capaz de marcar feiticeiros e ligá-los ao poder de Sammael.

Se um feiticeiro receber três perfurações dessa arma, será transformado em servo voluntário de Sammael. Caso tente resistir, o poder acumulado poderá consumi-lo.




Ragnor Fell, que havia desaparecido anos antes e planejado fingir a própria morte para escapar dos planos de Sammael, também reaparece. Magnus acreditava que o amigo havia sido capturado e estava morto, mas, na verdade, ele estava sob o controle do Príncipe do Inferno.

Agora, Ragnor está ao lado de Shinyun e participa dos planos de Sammael.

Os dois invadem o apartamento de Magnus e Alec, onde também está Max, o filho adotivo do casal, para roubar o Livro Branco, um poderoso livro de feitiços que tem uma ligação especial com Sammael.



Durante a invasão, Shinyun fere Magnus com o Svefnthorn, dando início à transformação de sua magia. A primeira marca deixa uma ferida cercada por chamas avermelhadas. Mais tarde, uma segunda perfuração aumenta ainda mais seus poderes, permitindo até que ele voe. Entretanto, Magnus fica cada vez mais próximo da terceira marca, que o tornaria servo de Sammael. Se resistisse, poderia ser consumido pela energia da arma.

Assim, Magnus e Alec partem atrás de Shinyun e Ragnor, mas não estão sozinhos. Eles contam com a ajuda de Isabelle, Jace, Clary e Simon, que recentemente se tornou um Caçador de Sombras.



Por meio de um feitiço de rastreamento, descobrem que os dois estão em Xangai.

Ao chegarem à cidade, conhecem Ke Yi Tian, um jovem Caçador de Sombras local, que os ajuda a investigar o paradeiro dos inimigos. Eles também descobrem que a região está sofrendo com o aparecimento de demônios, consequência dos portais que estão sendo abertos entre o mundo humano e Diyu, o reino dos mortos.

Durante uma das perseguições, Shinyun encontra Magnus novamente e o atinge pela segunda vez com o Svefnthorn. Seu poder aumenta ainda mais, mas a possibilidade de se tornar servo de Sammael também fica mais próxima.



Tian revela que tem um relacionamento secreto com Jinfeng, uma fada, algo proibido pelas condições da Paz Fria. Por meio desse relacionamento, o grupo acaba conhecendo artesãos feéricos que apresentam a Magnus e Alec duas espadas antigas: Heibai Wuchang, conhecidas como Impermanência Negra e Branca. Elas foram forjadas a partir de antigos deuses dos mortos e terão uma importância enorme no enfrentamento contra os demônios.

Enquanto isso, os portais continuam sendo abertos, provocando o surgimento de demônios em diferentes lugares e aumentando o perigo para Xangai.




No Mercado Iluminado, Ragnor e Shinyun abrem um enorme portal para Diyu, e os demônios começam a invadir o local. Magnus utiliza sua magia junto às duas espadas para conduzir seus amigos através do portal e acaba entrando também no reino dos mortos.

Ao chegarem a Diyu, o grupo acaba separado. Eles precisam atravessar diferentes regiões daquele lugar, que funciona como uma espécie de submundo, com setores de julgamento e punição das almas.



Durante essa jornada, Isabelle se deixa levar pelos Jiangshi, demônios semelhantes a zumbis, para conseguir procurar Simon, que havia desaparecido durante a separação do grupo.

Mais tarde, descobrimos que Simon foi capturado por Sammael. O Príncipe do Inferno quer se vingar porque Simon foi responsável por derrotar Lilith, utilizando a Marca de Caim. Enquanto Sammael está preocupado com essa vingança, Shinyun começa a se irritar com o fato de ele estar deixando de lado o objetivo maior: conquistar o mundo dos vivos.




Isabelle consegue encontrar Simon e libertá-lo, enquanto Tian também revela que estava trabalhando como agente duplo, pois Sammael o chantageava por causa de seu relacionamento com Jinfeng.

Enquanto isso, Magnus descobre uma maneira de libertar Ragnor do controle de Sammael. Utilizando as espadas, consegue invocar os espíritos que existem dentro delas e retirar a magia do Svefnthorn que mantinha seu amigo preso ao Príncipe do Inferno.

Com Ragnor livre, Magnus recupera o Livro Branco.

Mas a batalha ainda não terminou. Sammael leva Magnus, Alec, Ragnor e Shinyun para Avici, a região mais profunda de Diyu, enquanto os demais Caçadores de Sombras precisam enfrentar os perigos de outra região do submundo.

Sammael revela seu verdadeiro plano: utilizar a energia de Diyu para trocar o lugar de Xangai com o reino dos mortos e, assim, conseguir romper as barreiras que o impedem de entrar no mundo humano.



É nesse momento que Shinyun ameaça Alec para obrigar Magnus a receber a terceira perfuração do Svefnthorn.

Porém, Alec não permite que isso aconteça. Ele toma a arma e a enfia no próprio peito. Graças à runa da Aliança que compartilha com Magnus, consegue retirar dele a energia acumulada pelo Svefnthorn e transferi-la para fora de seu corpo.

Shinyun aproveita a oportunidade e absorve toda aquela energia, transformando-se em um Demônio Superior. Ela se volta contra Sammael e decide seguir seu próprio caminho, fugindo através de um portal.

Com seus planos comprometidos, Sammael abandona Diyu. Magnus e Ragnor conseguem se reunir aos demais Caçadores de Sombras, que estavam organizando a resistência, e todos encontram uma maneira de retornar ao mundo humano.

No final, Ragnor decide desaparecer novamente, assumindo o nome de Shade, para não ser facilmente localizado pelos inimigos. Magnus entrega o Livro Branco a Catarina Loss, que ficará responsável por guardá-lo.

De volta a Nova York, o grupo reencontra Max. Magnus ainda está inseguro e tem medo de que a transformação causada pelo Svefnthorn tenha deixado alguma coisa monstruosa dentro dele. Mas Alec e Catarina o tranquilizam.

E temos um momento muito bonito: Magnus canta uma canção de ninar em indonésio para Max, que pronuncia pela primeira vez a palavra "bapak", que significa pai.

No epílogo, Sammael reúne os outros Príncipes do Inferno. Ele reconhece que fracassou porque subestimou a força de um grupo unido e propõe que os Príncipes deixem suas rivalidades de lado e trabalhem juntos. Por fim, menciona que deseja conversar sobre Lúcifer, deixando claro que os problemas dos Caçadores de Sombras estão longe de terminar.

Resenha



O que me chamou a atenção para este livro foi a oportunidade de retornar ao universo de Cassandra Clare e ao seu mundo de magia. Mas confesso que me arrependi um pouco.

Acho que, neste livro, Cassandra transformou demais a complexidade do mundo fantástico e acabou deixando a história em segundo plano.

Foi lindo e fofo acompanhar Magnus e Alec como pais, tentando criar o pequeno Max, seu filho adotivo, da melhor maneira possível. Estou passando por essa experiência com minha bebê recém-nascida e me identifiquei com muitos momentos dos dois. Claro que Max é um bebê feiticeiro que flutua pela casa, mas, tirando esse pequeno detalhe, existem situações muito humanas na experiência deles como pais.

Não sei se é porque estava querendo uma história mais realista ou se simplesmente não era o momento certo para ler esse tipo de fantasia. Mas gostaria que Cassandra tivesse se concentrado mais nesses momentos. Em vez disso, ela divagou muito, mas muito mesmo, pelo mundo demoníaco e pela cultura sobrenatural da China.

No meio de toda essa complexidade, havia histórias belíssimas que Cassandra poderia ter explorado melhor, criando diálogos, conflitos e ramificações. Um exemplo é a relação entre Tian e Jinfeng. Poderia ter usado o universo fantástico como pano de fundo e desenvolvido uma história mais voltada aos relacionamentos e aos conflitos emocionais dos personagens. Mas não senti que isso aconteceu.

Em muitos momentos, eu me perdia tentando entender em qual batalha estava, por qual motivo Shinyun estava lutando, o que Sammael realmente queria ou como Magnus e os Caçadores de Sombras estavam enfrentando aquele inimigo.

Afinal, qual era o principal objetivo de Sammael? Vingar-se de Simon ou transformar Xangai em Diyu? E por que Shinyun parecia ter objetivos tão diferentes dos dele? Em alguns momentos, tive a impressão de que os interesses dos personagens mudavam de direção sem que houvesse uma explicação suficientemente clara.

Outra coisa que me incomodou foi a questão das três perfurações do Svefnthorn. Se o objetivo era transformar Magnus em servo de Sammael, por que não o atingiram três vezes de uma vez? Entendo que existe uma construção de tensão em torno das marcas, mas achei que faltou explicar melhor as regras e as limitações dessa arma.

Para mim, faltou organização na continuidade dos acontecimentos e, principalmente, explicação para algumas decisões dos personagens. Não é que eu não consiga acompanhar uma fantasia complexa, mas preciso sentir que toda aquela complexidade está servindo à história, e não que a história esteja servindo apenas para apresentar um universo cada vez maior.

Fiquei muito frustrado durante a leitura. É uma pena, porque comecei o livro com muita vontade de reencontrar esses personagens e esse universo. Terminei com a sensação de que havia uma história muito mais bonita escondida em meio a tantos demônios, portais, julgamentos e batalhas.

Confesso que estou pensando seriamente se vale a pena continuar a série.

Nota 2,5⭐

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